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20 de Setembro de 2018

A banalização do coaching – parte 2

A banalização do coaching – parte 2

O coaching teve início no Brasil nos anos 2000, quando muitas empresas geraram uma demanda bastante grande para a contratação de coaches

O coaching teve início no Brasil nos anos 2000, quando muitas empresas geraram uma demanda bastante grande para a contratação de coaches, naquele momento já consolidado nos Estados Unidos e usado como apoio ao processo de desenvolvimento das pessoas efetivamente. “Foi quando ele deixou de ser visto como algo que “conserta” as pessoas que têm problemas para se tornar algo que pode ser usado para desenvolver o potencial dos profissionais”, conta Roberto Schiavini.

“Nesse meio do caminho, algumas empresas entenderam que o coaching poderia ir além e entrar na cultura organizacional e, a partir daí surgiram uma série de conceitos diferentes sobre o processo. Creio, nesse momento, teve início a banalização, pois começaram a pedir, e continuam pedindo para o coach, coisas que não são de sua responsabilidade”.

“O coaching passou a ser solução para tudo com um leque de atendimento multifacetado e sua contribuição acabou se perdendo entre modelos, técnicas diversas, profissionais sem formação e aqueles que efetivamente atuam como coaches. Isso causou e causa várias confusões nas empresas na hora da contratação. Tem gente que é contratada para fazer coaching e aplica mentoring, por exemplo, aumentando a confusão entre um e outro”, diz.

Ele acrescenta que a banalização se deu também porque o coaching funciona, faz muita diferença no crescimento dos indivíduos e da própria empresa. “Se bem aplicado ele muda o clima da organização, melhora o desempenho das pessoas e, diante disso, muita gente começou a considerar essa solução mágica. No entanto, embora ágil, o processo demora um certo tempo quando aplicado por um profissional sério e competente, diferente de alguns oportunistas que prometem resultados para ontem e sendo equivocadamente contratados”, enfatiza.

Outro fator dessa banalização, segundo ele, foi o fato de que muita gente, de olho na remuneração por hora, decidiu que seria coach e foi para o mercado. “Não dá para ser coach baseado apenas na sua experiência profissional, no cargo que ocupou ou sua carreira. O que as pessoas não olham é o tempo que você deve investir na preparação”, aconselha.

Há quase quinze anos nesse mercado, treinando os mais diferentes perfis de pessoas ou profissionais, identifico que não é qualquer pessoa que pode atuar como coach, acrescenta. “Existem profissionais que podem ser ótimos consultores, excelentes mentores, mas nunca coaches. Isso demanda, além de formação e investimento na carreira, uma entrega por inteiro ao processo e na necessidade do cliente.

E, como muitas empresas avaliam o preço, a entrega mágica, e não a qualidade da mesma, acabam contratando “gato por lebre”, aumentando a confusão do que afinal é coaching e suas aplicações, além de comprometer um processo que realmente funciona e contribui para o desenvolvimento humano, tanto profissionalmente, quanto do indivíduo”, finaliza o dirigente.